O povo indestrutível

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A resistência e determinação dos egípcios é talvez uma das maiores lições de um povo em não sei quantas dezenas de anos, talvez até séculos. Após mais de uma semana em que eles literalmente acampam na maior praça do Cairo, após terem 100 companheiros assassinados (a ONU fala em 300) e centenas presos, agora eles resistem aos policiais do ditador e mercenários conduzidos pelo governo a atacarem os manifestantes. A praça hoje virou uma batalha campal com os fieis ao ditador atacando o povo com paus, pedras, cavalos e camelos enquanto o povo se defendia contra-atacando com os mesmos paus pedras. O exército, que resolvera não atacar o povo, por outro lado nada fez hoje para deter os homens do ditador, apenas pedia calma.
Até quando continuará a resistência desses heróis da liberdade que querem seu Egito livre, justo e mais igual?
Até quando não ocorrerá um derramamento brutal de sangue como o governo chinês ordenou e conduziu no massacre de Pequim, em 1989?
Sinto que o povo não arredará pé, pois quem não teme mais nada, não tem mais medo, como revelou a jovem que disse que o governo pode cortar a internet e a telefonia celular, “mas não pode cortar nossos pés”.
Um dia eles se cansaram da opressão, da falta de oportunidades, das condições ruins de vida, da desigualdade brutal e das atrocidades de uma das polícias mais cruéis do planeta, polícia esta intimamente ligada ao seu presidente ditador.
Um dia eles souberam utilizar uma poderosa ferramenta tecnológica criada mais para gerar lucros do que amizades, o Facebook, para unirem-se de verdade a partir do chamado postado na maior média social do planeta.
Um dia os egípcios determinaram, o 25 de janeiro último, como o dia do grande basta, o dia do fim do silêncio, o dia da luta e do antigo refrão-hino esquecido que eles tornaram uma verdade invencível: “o povo, unido, jamais será vencido!”.
PS – 30 anos sendo cúmplices do regime ditatorial dos egípcios, e agora os EUA exigem um Egito democrático…

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