Rio 2016 – A poderosa escola mundial do esporte

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rio2016_esporte“Temos coisas muito mais urgentes que precisam de investimento e cuidado, como a educação e a saúde, e a farra de dinheiro da Olimpíada desvia esse dinheiro.” Uma das principais críticas à escolha do Brasil e do Rio para sediar o maior evento do planeta é tanto verdade como um falso julgamento. Verdade porque esse país só será justo e digno para todos quando nossa abandonada escola pública for transformada e melhorada, e quando a saúde pública cuidar mais rápido, e com mais equipamentos e médicos, da população mais carente. Quanto à Olimpíada tirar verbas da educação e saúde, quem garante que os bilhões investidos nos Jogos teriam esse destino? E quem disse, e esse deveria ser o ponto central da discussão, que o esporte não é também muito importante?

O esporte é uma das ferramentas mais poderosas para que as pessoas tenham uma saúde melhor, hoje e no futuro, ou seja, na vida toda. O esporte que além de formar corpos e mentes mais fortes, previne de inúmeras doenças como a diabetes, problemas cardíacos, pulmonares, da obesidade, transtornos psicológicos etc. O esporte que é aliado fundamental de qualquer pessoa para chegar com uma boa saúde na maturidade e velhice.

O esporte é também uma infinita escola de valores, vital para formar crianças, jovens e futuros adultos mais respeitosos, solidários e menos egoístas; mais competitivos e lutadores; mais ativos e preparados para a vida numa modalidade, profissão e no relacionamento com as outras pessoas.

Que outra atividade humana ensina tanto a sonhar e batalhar por isso, a ganhar e perder, a cair e levantar, a não desistir e tentar de novo?

O esporte pode, ser sim, tão importante quanto a saúde e a educação para melhorarmos esse país, para darmos mais oportunidades a quem mais precisa: a molecada de origem humilde. Aliás, as iniciativas mais completas que dão um futuro e vida melhor a esses humildes vêm das instituições que fazem um trabalho integrado do esporte com a educação e um acompanhamento médico, nutricional, fisioterápico e psicológico. Vêm das ONGS, projetos sociais e algumas poucas escolas que fazem bem esse trabalho.

Por isso tudo, mesmo que os Jogos do Rio tenham custado uma fábula e tenham cometido sérios crimes – como os milhares de pessoas arrancadas de suas casas e enviadas para habitações precárias muito longe de onde viviam, para a construção de obras viárias e arenas esportivas – os Jogos serão também uma poderosa fonte de inspiração para milhares de brasileiros humildes sonharem e lutarem por uma vida melhor.

Ah, “mas esses humildes não têm dinheiro para comprar os caros ingressos das arenas milionárias e assim são excluídos da festa”. Sim, a esmagadora maioria não assistirá nada ao vivo, mas a simples cobertura televisiva maciça já planta sementes poderosas. Sementes como as maravilhosas histórias de brasileiros vencedores (de ouro, prata ou bronze, eis aí outro lado bacana da Olimpíada: não premia e valoriza só os campeões) contadas há meses quase todos os dias na TV e, dádiva grande, na TV aberta, que todos possuem.

E milhares de humildes, sim, já tiveram contato com os olímpicos em clínicas e visitas às suas escolas e comunidades nos últimos anos. E outros milhares estão trabalhando nas arenas olímpicas ou na organização dos Jogos. Ontem mesmo percebi que as meninas que entregam parte da premiação aos medalhistas olímpicos parecem ser de origem humilde e precisam ver a alegria delas por participarem de momentos tão belos e valiosos.

Os Jogos são uma inspiração poderosa também para as crianças e jovens de classes sociais com boas condições. Esperamos que esses assimilem as belas histórias dos inúmeros personagens marcantes que toda Olimpíada produz, reflitam, melhorem em algumas atitudes e pensamentos, se tornem pessoas melhores e passem essa tocha para a frente.

Falando em tocha, esqueçamos um pouco os muitos que a carregaram apenas para aparecer e lembremos da simbologia de transmissão do fogo e luz sagrada – da iluminação e consciência da humanidade, e fraternidade.

Lembremos dos gregos antigos, e de sua sabedoria de não separarem o corpo da mente. Lembremos que os grandes filósofos antigos valorizavam tanto o pensamento, a reflexão e o debate como a atividade física.

Lembremos que o esporte como o conhecemos hoje, em sua origem, na Grécia antiga, era um instrumento de aperfeiçoamento e evolução, e também de confraternização e paz durante os Jogos Olímpicos que paravam as guerras.

Lembremos do choro e alegria de Gustavo Kuerten ao entrar no Maracanã com a tocha olímpica criada pelos gregos milhares de anos atrás.

Lembremos da alegria e simplicidade com que Vanderlei a carregou e acendeu a pira.

Lembremos que tanto Guga como Vanderlei fizeram o Brasil vibrar com suas façanhas e depois tiveram a grandeza de devolver ao esporte e ao país os institutos sociais que criaram em  Floripa e Campinas.

Lembremos que se temos dirigentes esportivos nefastos como o presidente do COB e seus aliados políticos, temos um número bem maior de atletas, treinadores, ex-atletas e treinadores que são também seres humanos maravilhosos e batalham para deixar o nosso povo sonhar e vencer.

Lembremos que é nos Jogos Olímpicos que esses homens e mulheres maravilhosas, do Brasil e mundo todo, têm a chance de se tornarem mais conhecidos, tamanha a exposição da mídia nacional e mundial. E assim podem ser conhecidos pelas crianças e jovens de todo o planeta.

Lembremos que os Jogos Olímpicos são, muito mais que um espetáculo (visão dos céticos, de muitas empresas e dos que odeiam ou ignoram o valor e poder do esporte) uma incomparável escola por uma cidade, país e  mundo melhor. Claro, o doping e os interesses comerciais demais em algumas modalidades, mancham o esporte, mas há muito mais beleza e o melhor o ser humano nos Jogos que o seu lado mais nefasto e corrupto.

Celebremos então os Jogos e seus artistas, guerreiros e mestres incríveis.

E tenham certeza que aqui e ali milhares de meninos e meninas brasileiras estão sendo motivados e inspirados a superarem incontáveis carências e obstáculos para ter uma vida melhor através do esporte.

Muito do melhor da humanidade estará no Rio nas próximas duas semanas. É hora de aproveitar isso, assistir, inspirar-se e lutar com a mesma gana dos olímpicos. Um desses exemplos é a menina síria que fugiu da guerra e superou um naufrágio nadando para salvar a sua vida e a de dezenas pessoas. E ela está aqui no Rio com a equipe dos Refugiados.

Aproveitemos então a talvez mais poderosa criação humana, sempre turbinada em cada Olimpíada: as boas histórias. Elas nos emocionam, nos fazem refletir, nos espelham e nos ajudam a seguir em frente ou além.

Não privem suas crianças da outra educação vital para qualquer menina ou menino: a fantástica fábrica de sonhos e cidadãos do esporte.

 

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