No coração das montanhas

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Segunda-feira, o sol de inverno leve era gostoso e acolhedor como as férias devem ser. Mas fazia frio aqui dentro. A única solução era a estrada, era o calor humano, era a amizade. Nunca precisei de convites nem tive orgulho para isso. Por isso liguei pra ela e logo estava a caminho. Procurando novos caminhos, para a minha vida, e para chegar lá onde ela e seu pai se escondem (na verdade, se refugiam). Óbvio que me perdi em tudo quanto é acesso e, sorte grande, quando estava totalmente perdido na estradinha de terra sem uma alma, já de noite, um motoqueiro sem nada a ver com os psicopatas paulistanos, me indicou o rumo certo.
Enfim cheguei, só via o telhado da casa e não entendia bem, cadê a casa? Abro a porta e um cachorro me recebe com uma alegria inacreditável para com um estranho. O maluco enorme, ainda filhote, mas já grande, viralata parrudo de algum pastor alemão misturado, chegou rebolando, abanando o rabo e já dando lambidas e dando a pata. Logo o figura já deitava de costas e se estrebuchava todo brincalhão. Sim, eu estava em casa, que melhor recepção que essa? Um cachorro amigo e carinhoso, a melhor espécie que o Barbudão lá de cima colocou nesse mundo se dúvida nenhuma. Ando um pouco com o anfitrião de 4 patas e um enorme coração e grito pelos donos da casa. Nada. Ai percebo uma construção mais para baixo, chamo de novo e eis que surge ele, o velho lobo dos mares paulistanos e já legítimo senhor dessas pequenas montanhas escondidas e protegidas perto de Atibaia. Logo surge sua filha, a moça que cura, uma das filhas que a vida me deu (não fica com ciúmes, grande lobo, você sabe que o coração dela é tão grande que ajuda a muitos). Logo vem ela em seu jeito desengoçado e brincalhão, logo vem ela já tirando um sarro, já arrancando um sorriso e a vontade gostosa de lhe dar um tapa na orelha simbólico.
O cachorro, que ela batizara de Téo? Não era deles, mas vinha regularmente visitá-los. Por quê? Porque os cães sentem os lares que possuem o bem e o amor sincero.
Descemos e entramos. A casa que eu não descobrira lá de cima é um amplo espaço mágico feito com as próprias mãos do grande lobo. Uma casa com andares que se olham, em que vemos todos os ambientes, em que as pessoas só podem é ficar próximas, uma casa sem barreiras, como o outside marinho, como o horizonte para o qual olhamos e nos sentimos tão livres e amplos. Uma casa de tijolos e madeiras, quente, poderosamente acolhedora. Uma casa com história, com milhares de objetos, com a história de muitos objetos antigos imortais, um verdadeiro centro cultural e antiquário, obra do velho lobo que é um refinado restaurador de aparelhos antigos.
O que ele talvez não saiba é que é um restaurador também de gente, de corações partidos. Pouco a pouco o velho lobo vai dando conselhos, e como bom pescador, indica as linhas que os outros nos dão e as linhas que devemos lançar para buscar os peixes-sonhos de nossas vidas.
Sim, o lobo já viveu e também sofreu demais, talvez por isso sabe tanto da vida. E seus olhos fundos também revelam as suas perdas e alguns vazios profundos. Mas eis que tudo se ilumina e ele parece esquecer de tudo quando sua filha surge e mesmo ela também tão sofrida, a moça é uma fortaleza de sorrisos e brincadeiras. Isso é valentia, o resto é a fraqueza dos covardes: mesmo precisando matar vários leões por dia quando em São Paulo, essa moça dá porrada nas barreiras com suas tiradas, sarros e abraços. E ela tem uma mágica capacidade de nos deixar felizes mesmo quando nos sacaneia, mesmo quando tira a maior onda com a nossa cara.
Ei, velho lobo, grande guru, sim, as perdas são duras demais, mas pode existir alegria maior que ter uma filha como ela? Pode ter alegria maior saber que tem uma filha tão boa que é querida e amada por tanta gente? Pode ter alegria maior que saber que tem uma menina que cura os outros?
Só sei que sentia os caminhos fechados, meio que sem saída antes de chegar ali, mas depois de passar dois dias nesse refúgio espiritual divertido muita coisa mudou, e até foi clareando sozinha. Como se a energia sem fim desse lugar e de vocês dois tivessem me atraído coisas boas. E, sim, atraíram.
Vocês me mostraram novos rumos que posso tomar nas pequenas e grandes coisas. Já me ajudaram profissionalmente (ao praticarem me obrigarem a jogar fora meu celular sem recurso nenhum, para arrumar um aparelho em que eu possa criar notícias, imagens e vídeos de onde eu estiver, além de não apanhar para mandar mensagens hehe) e sobretudo aqui dentro.
Só peço desculpas a você, querida fada humorista sacana, por ter me ausentado nos últimos meses. E peço também que não ligue pra rabugice do Lobo com nosso amigo fundamental, o Grande Téo hehe, e bota ele naquele sofazinho, porque o Lobo diz que não mas adora a cara de bobão amigo do bicho.
Obrigado meus amigos. Quase não vi as montanhas, mas senti a elevação dessa casa e coração lá nas alturas de vocês dois. Mas vê se dá um tempo nas broncas na cozinha, mestre cuca sênior, porque a menina tá fazendo altos pratos deliciosos, que macarrão sensacional (no ponto!), que canapés incríveis antes do churras!
Obrigado até por me mostrarem o valor de um jornalismo que eu mal conhecia e tinha preconceitos errados, como essas denúncias sem medo do CQC e as amplas e completas reportagens de A Liga (bom, aquela repórter “pouco” gata e charmosa,  e ainda gaúcha!, ajuda né hehe)
Grande abraço e valeu por aceitarem esse hóspede que se convidou na maior cara de pau.
PS – Quando encerro esse texto, o youtube bomba na minha lista aleatória uma gaita mágica e espiritual, e uma voz doce e confortante, uma energia parecida com a que eu recebi dessa casa encantada das montanhas de seus corações.
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Um comentário sobre “No coração das montanhas

  1. Interessante Zé como a vida vai nos conduzindo!!! Claro, que prá isto, precisamos estar de corações abertos…. e principalmente, confiar!!! Parabéns pelas descobertas…. por ter-se dado a oportunidade e pelo texto maravilhoso!!!!E…. Feliz Caminho e beijokas!!!

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